sábado, 4 de julho de 2009

Dúvidas


''Logo estarei em casa, não se preocupe''. Durante toda aquela noite pensava nessa frase que lhe foi dita à algum tempo, mas que desde então não saíra de sua cabeça. Fora deixada sozinha por todos que a conheciam. Era a chegada de uma nova era: a do exilamento total em sua casa urbana, acima de tudo, onde poderia observar todos os pequenos detalhes de seus vizinhos, dos moradores ao seu redor, e o que aqueles pequenos feixes de luz queriam lhe dizer. Por mais escuro que estivesse, haveria sempre algo criando um clarão que tentasse lhe mostrar que não haveria um final simplório, passado em branco. ''Tudo tem algum sentido, não se preocupe''.

E por mais que tentasse ver que ela não era um ponto invisível no meio de uma imensidão de pessoas, a dor aumentava. Angústia de ver tudo dar certo, desde que não a atingisse de alguma forma. Era incrível como seu pensamento era a sua própria armadilha.

Não gosto de usar a palavra ''solidão'' para descrevê-la. Definitivamente, não era pra tanto. Sua mente lhe mostrava que nem sempre estaria cercada por sorrisos e cores vivas, música alta e ambiente descontraído. E que haveria épocas em que ela deveria ser forte para aguentar o tranco. Parecia que as pessoas não a procuravam mais. Era estranho. E sua única fonte de continuar lutando havia sumido. Mas logo estaria de volta, com toda a certeza.

Sim, tudo iria voltar, desde que não fosse tarde demais. E para que isso acontecesse, deveria contar com uma mínima parcela de sorte. Ela era jovem, e tinha muito para aproveitar. Iria presenciar novas situações ou até as mesmas que já presenciara, só que de algum jeito diferente.

E assim as pessoas iam voltando, como se nada tivesse acontecido. Como se usassem uma espécie de ''pause'' em sua vida.

''As coisas sempre aconteciam como se nada tivesse acontecido''.

Ela precisou dar um tempo à essas pessoas. Ver se as coisas voltariam ao normal mais rápido.

Chegamos na parte da história que todas as outras folhas estão em branco. Ainda. Não se há notícia dela. Deixou tudo, assim como tudo a deixou. Até acharmos uma continuidade para esta, o interesse já vai estar perdido. Portanto, declaro como acabado.


''Não sei escrever fins que justifiquem os meios. Normalmente escrevo de trás para frente. Alguém esqueceu de me contar como se faz.''

Um comentário:

  1. Lindo! devem ser esses textos que você não me mostra... e sabe, acho que é desse tipo de garota que o Paul fala em Another Day. Apaixonante ^^ parabéns!

    Fábio

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